terça-feira, 9 de novembro de 2010

A morte tem sempre um significado novo dependendo da fase de vida dos que ficam e de quem se foi. Nem sempre importa se o falecido é um parente, um grande amigo, um conhecido ou um desconhecido: a forma como acontece, o que é dito pelos mais próximos sobre os planos daquele que se encontra supostamente preso ao caixão vai nos moldando ainda que inconscientemente. Ao menos é assim que me parece ser.

É como se tudo que eu vivi até aqui pudesse ser jogado fora porque, de certo modo, "tá tudo errado. Eu tô perdendo tempo demais com coisas bobas e sem sentido."

Tenho me alimentado mal e ando meio afastada dos meus amigos / deixo de sair pra me divertir / deixo de ficar em casa com a família / deixo de estudar o final de semana inteiro / não tenho sido um exemplo de estudante (considerando que para o meu país isso não tem importância, tá tudo bem!) / perco muito sono pensando no dinheiro ou na falta dele / não tenho a responsabilidade que a vida adulta quer de mim.

Sou a pura inconsequência de tudo que há.

Não é fácil entender e não se deve tardar. Amanhã posso ser eu deitada ali, provocando as interrogações nos outros que ainda pertencerem a este mundo estranho, sem conseguir dizer que eu achei a resposta ou informá-los de que, assim como eu, eles jamais entenderão.

A morte não me traz medo, mas deixa com uma espécie de tristeza antecipada. Quando ela segurar minha mão, e dependendo de como for, não quero pensar em chorar o arrependimento do que eu deixei incompleto porque em mortes que chegam de forma surpreendente a sensação de quem fica é quase sempre a mesma:

"Ela podia ter vivido mais".

1 comentários:

Anônimo disse...

"Agora a perda, por mais cruel que seja, nada pode contra a posse: completa-a, se quiserdes, afirma-a: não é, no fundo, senão uma segunda aquisição - desta vez, totalmente interior - mas igualmente intensa." Rilke já dizia...