É como se tudo que eu vivi até aqui pudesse ser jogado fora porque, de certo modo, "tá tudo errado. Eu tô perdendo tempo demais com coisas bobas e sem sentido."
Tenho me alimentado mal e ando meio afastada dos meus amigos / deixo de sair pra me divertir / deixo de ficar em casa com a família / deixo de estudar o final de semana inteiro / não tenho sido um exemplo de estudante (considerando que para o meu país isso não tem importância, tá tudo bem!) / perco muito sono pensando no dinheiro ou na falta dele / não tenho a responsabilidade que a vida adulta quer de mim.
Sou a pura inconsequência de tudo que há.
Não é fácil entender e não se deve tardar. Amanhã posso ser eu deitada ali, provocando as interrogações nos outros que ainda pertencerem a este mundo estranho, sem conseguir dizer que eu achei a resposta ou informá-los de que, assim como eu, eles jamais entenderão.
A morte não me traz medo, mas deixa com uma espécie de tristeza antecipada. Quando ela segurar minha mão, e dependendo de como for, não quero pensar em chorar o arrependimento do que eu deixei incompleto porque em mortes que chegam de forma surpreendente a sensação de quem fica é quase sempre a mesma:
"Ela podia ter vivido mais".
1 comentários:
"Agora a perda, por mais cruel que seja, nada pode contra a posse: completa-a, se quiserdes, afirma-a: não é, no fundo, senão uma segunda aquisição - desta vez, totalmente interior - mas igualmente intensa." Rilke já dizia...
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